Linfedema e mudanças climáticas, por Cibele Lopresti

Certamente, todas as pessoas com linfedema, assim como seus familiares e amigos, conhecem os desafios enfrentados em períodos de temperaturas elevadas. Homens, mulheres e crianças que convivem com inchaço em alguma parte do corpo já sabem que basta a temperatura subir um ou dois graus para que seu estado geral se modifique imediatamente, provocando desconforto e limitações de movimentos ou até mesmo de mobilidade.
Conforme noticiado pelos meios de comunicação, não se pode mais negar o impacto severo que os eventos climáticos têm provocado em diversas regiões do planeta, como ciclones, enchentes e o aumento da temperatura dos oceanos e da atmosfera. Por isso, em tempos de crise climática, é urgente que esse tema seja abordado constantemente e de maneira objetiva por toda a população. Todos os setores da sociedade precisam planejar ações para interromper o avanço das mudanças climáticas e minimizar os efeitos que já são sentidos por tantas pessoas.
Além disso, em ano de eleição, é preciso que todo candidato apresente seu plano de ação em favor da preservação do meio ambiente e da qualidade de vida da população. E que todo eleitor se informe e se comprometa com o assunto.
Para nós, pessoas com linfedema, essa tarefa se torna ainda mais urgente. Por isso, compartilhar informações sobre como prevenir os efeitos do calor e manter o autocuidado parece ser uma das mais importantes formas de acolhimento mútuo.
Em dias mais quentes, sentimos dor, cansaço extremo e dormência na parte do corpo afetada, além de uma profunda vontade de parar, estacionar onde estamos e interromper a vida até que o termômetro seja mais camarada.
Para saber mais, leia atentamente o Manual de Orientação publicado no site da ABRALINFE.
O que devemos fazer em dias assim? Como enfrentar as altas temperaturas que vêm pela frente com o anunciado El Niño? Aqui vão algumas sugestões:
- Busque orientações sobre como realizar o enfaixamento noturno e sobre os materiais adequados para essa prática. Consulte o site da ABRALINFE para encontrar informações sobre o tratamento adequado e, se precisar, peça indicações de profissionais especializados. Pode ser que exista alguém capacitado próximo ao seu domicílio. Embora existam recomendações específicas para essa terapêutica, vale a pena conhecê-la e avaliar sua eficácia individualmente, caso a caso.
- Use meias ou luvas de compressão.
- Pratique esportes nos horários mais frescos. Mexer o corpo ativa a circulação linfática e ajuda a controlar o inchaço. Faça caminhadas ou corridas, pratique natação ou hidroginástica, faça ioga, dance, jogue peteca, pule corda ou experimente qualquer outra atividade que faça você se movimentar. A musculação também é ótima, pois os músculos ajudam a movimentar os líquidos.
- Aplique um bom hidratante no corpo ao longo do dia e evite o surgimento de fissuras na pele.
- Tome bastante água! Isso ajuda na circulação dos líquidos do corpo.
- Mantenha hábitos alimentares equilibrados e, quando necessário, busque acompanhamento profissional para o controle do peso corporal, pois o excesso de peso pode estar associado a maior risco de desenvolvimento ou agravamento do linfedema.
- Procure um ambiente fresco e ventilado e utilize medidas de resfriamento confortáveis e seguras, evitando o contato direto da pele com gelo ou objetos excessivamente frios.
- Evite qualquer tipo de machucado, picada de inseto ou mesmo arranhão leve. Tenha sempre por perto os materiais necessários para higienizar adequadamente qualquer ferimento.
- Se o calor estiver intenso e o inchaço aumentar muito, procure orientação profissional sobre o uso da compressão e descanse em um local ventilado, elevando as pernas ou os braços, quando possível. Utilize medidas de resfriamento seguras e confortáveis. Se necessário, tome um banho fresco. Faça movimentos leves e curtos, sempre respeitando os limites do seu corpo.
- Busque apoio emocional e não se isole. O linfedema é uma condição crônica, mas seus sintomas podem variar ao longo do tempo. Dias de maior desconforto não significam que você esteja sozinha ou sozinho, nem que não possa melhorar. Converse com quem passa pelo mesmo que você. A ABRALINFE está aqui para isso!
- Antecipe-se e evite hábitos ou situações que possam prejudicar sua saúde: não fume, evite o consumo de bebidas alcoólicas e prefira calçados confortáveis.
- Informe-se antecipadamente sobre as condições climáticas e os tratamentos disponíveis. A informação contribui para ações mais eficazes.
- Consulte um profissional de saúde regularmente e procure atendimento sempre que suspeitar de uma piora do quadro.
Associe-se à ABRALINFE e mantenha contato com pessoas com quem possa trocar impressões, experiências e informações confiáveis.
E, para aqueles dias em que tudo parece difícil, tenha paciência. Como dizem, esse dia também vai passar.
Importante As sugestões aqui apresentadas são orientações informativas elaboradas pela autora deste texto, que também é uma pessoa com linfedema, e não substituem a avaliação individual por um profissional de saúde devidamente habilitado.
Cibele Lopresti é uma pessoa com linfedema congênito nos membros inferiores, grau 2. É autora do livro "Para onde me levam os meus pés?", publicado pela Editora Palavras.






Comentários